Estudo aponta que seca combinada com altas temperaturas aumentou propagação de incêndios por todo país em escala jamais vista
Em 2024, o Brasil sofreu com a seca mais intensa e generalizada em sete décadas, segundo uma pesquisa de um laboratório da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (21), aponta que a seca combinada com as altas temperaturas aumentou a propagação de incêndios por todo país em uma escala jamais vista.
Além dos incêndios, a perda de florestas primárias (como a Amazônia) foi causada principalmente pelo desmatamento para cultivo de soja e gado. Segundo a pesquisa, o Brasil possui mais florestas tropicais primárias do que qualquer outro país do mundo e continua sendo o maior contribuinte para a perda de florestas, sendo responsável por 42% de toda a perda de floresta tropical primária nos trópicos.
As taxas de perda de florestas, que não estão relacionadas a incêndios, também aumentaram. Foi registrado um crescimento de 13% de 2024 para 2023, mas ainda abaixo dos picos do início dos anos 2000. O estudo ainda detalha as perdas em três grandes vegetações brasileiras, veja abaixo:
Amazônia: o bioma sofreu a maior perda desde o recorde de 2016, com um aumento de 110% entre 2023 e 2024. 60% do crescimento se deu por incêndios. A expansão agrícola é um dos principais impulsionadores, com grande parte do desmatamento recente sendo ilegal;
Pantanal: a área teve o maior percentual de perda de cobertura florestal entre todos os biomas, com perda de 1,6% (mais que o dobro da taxa de 0,83% de todo o Brasil). 57% da perda foi devido a incêndios;
Cerrado: toda a perda de cobertura arbórea diminuiu 14% entre 2023 e 2024, embora isso esteja dentro das flutuações anuais normais
Os pesquisadores também ressaltam que políticas de conservação e fiscalização são essenciais, assim como mais investimentos em programas nacionais de prevenção de incêndios. Eles ainda citam o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), gerido pelo Ibama, que treina comunidades locais para responder a incêndios e praticar o manejo sustentável de terras sem fogo.
O estudo foi realizado pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (GLAD) da Universidade de Maryland, com base em dados do Global Forest Watch (GFW) do World Resources Institute (WRI).